Outra noite mesmo sonhei que tinha descoberto quem roubara o iPod da minha filha pra revender no Camelódromo da Uruguaiana. Fui até a lojinha do sujeito, localizei o iPod e o tomei de volta. Só que não: ele agarrou o iPod, eu puxei, e nisso o fone arrebentou com o plug dentro. Lógico que fiquei com raiva do cara, mas também logo me dei conta de que isso não adiantava de nada. O iPod estava perdido, e começava até a sentir pena desse sankhara dele, de viver do que era roubado dos outros...
Comecei a caminhar e me dei conta também de que eu não era assim tão diferente do ladrão. Tive "méritos" suficientes de estar tão próxima ao ponto de ele me afetar. Estávamos no mesmo barco, no mesmo samsara...
Lembrei-me de algumas reações de aversão que tenho a algumas pessoas. Um mendigo fedorento que passa por mim na rua, por exemplo: estou no mesmo lugar e tempo que ele - o que nos faz tão diferentes?
Em que um sonho pode ser menos real do que a vida em carne e osso? E a vida em carne e osso, é mais real do que o sonho?
O ladrão, o motoqueiro, o mendigo e eu: somos todos feitos da matéria dos sonhos... Sonhos de carne e osso, sonhos de imagens, sonhos bons, sonhos ruins...
Sejamos felizes com os sonhos ou tristes com eles, até que deles nos libertemos.
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