Não sei se o desânimo é por que hoje de manhã não tomei meu café com leite ou por que não sei dele há uma semana...
O que sei é que hoje vou dormir com os olhos baços e cansados de tanto olhar para uma parede cinza, que não emite sinais.
É um vazio triste, quase chorei.
Meu "Buda no Espelho", o desenhinho que faço no vapor d'água no espelho depois do banho, hoje também chorou, apesar de estar sempre sorrindo. Compaixão pela minha saudade ou pela minha perene solidão?
Talvez a história da minha vida seja me dar conta de que, em última análise, estamos e fazemos tudo sozinhos. Posso crer que ele prefere se fechar atrás do muro, se isolar...
Muitas vezes penso se minha boa fortuna não jazeria justamente nos momentos em que coleciono perdas. Já aos 8 perdi minha mãe. Muito cedo vi que a morte pode mesmo vir a qualquer momento. Quando perdi meu pai, agora adulta, entrei em contato com a visão budista da morte, que reflete tudo no que sempre acreditei, mas cuja forma estruturada ainda não conhecia. Aos 48, destituída de uma família nos conformes do sonho americano, muito me lamentei, até perceber que o fim do sonho era o começo da liberdade para viver de acordo com o Dhamma.
Porém, romântica e otimista contumaz, ainda penso que algo MUITO especial pode estar reservado para mim. Como alguém que, por princípio, opta abandonar o mundo virtual para viver apenas no real, aqui e agora. Que quer viver apenas o que está ao seu lado, ao seu alcance, e não a léguas de distância, com um computador no meio.
Fico imaginando como funcionava a mente das pessoas no tempo em que o tempo se fazia mais largo, sem comunicação imediata, quando cartas levavam meses pra chegar a seus destinos... O amor apurava e se tornava mais precioso? Para ser verdadeiramente compartilhado num próximo encontro? E quando será o próximo encontro? Mais uma semana, pelo menos, para esperar...
SEGUNDA - PÉROLA
Não sei se a animação é por que hoje de manhã tomei meu café com leite ou por que há a possibilidade de revê-lo no fim-de-semana. Ou se, após uma noite de sono, ressurge minha natureza boba-alegre, inquebrantavelmente romântica e otimista.
Cada vez mais atenta sobre a como minha mente funciona, me lembrei do episódio do seriado "Big Bang Theory" em que o Sheldon toma café sem estar habituado:
O quanto estados de espírito não passam de sensações cerebrais?
Mais tarde, preparando aula, assisti a palestra de Susan Cain no TED Talks, "O Poder dos Introvertidos":
Nela alguns feixes de luz se lançaram sobre o comportamento dessas pessoas, que poderiam dar alguma lógica ao que eu intuo:
"(...) in fact, we have known for centuries about the transcendent power of solitude. It's only recently that we've strangely begun to forget it. If you look at most of the world's major religions, you will find seekers - Moses, Jesus, Buddha, Muhammad - seekers who are going off by themselves alone to the wilderness where they then have profound epiphanies and revelations that they then bring back to the rest of the community. So, no wilderness, no revelations."
A palestrante menciona a vez em que foi a uma colônia de férias. Ela imaginava que ia ficar numa casa de campo com outras meninas, só calminha, lendo o tempo todo. Chegando lá, a monitora ensinou uma canção em que dizia que as crianças deveriam ser "rowdy" ("bagunceiras"). À noite, Susan foi ler e uma das meninas perguntou por quê ela estava sendo tão "mellow" ("boazinha").
Quando fui ver o significado de "mellow", este foi um exemplo que encontrei para ilustrar a definição quanto a comida: "slow cooking gives the dish a sweet, mellow flavour".Então é isso que meu lado romântico e otimista me faz crer que a vida me prepara: a rich, sweet, mellow flavoured dish.
A pérola preciosa gestada na concha. "(...) para a pérola surgir é preciso que a ostra seja ferida por um grão de areia até que ela o paralise usando uma substância chamada madre-pérola, que o envolve.
Dessa forma, quanto mais tempo a ostra fica fechada, maior ficará a pérola que se forma com o encontro da madre-pérola com o grão de areia. (...) se a ostra não se abrisse e fechasse para respirar, jamais receberia o invasor, e a pérola não existiria.
(...) Segundo o professor Rubem Alves, 'nossas dores e nossas feridas podem ser fontes ricas de preciosas jóias, dependendo de como tratamos aquilo que corta nossa carne. A forma criativa ou destrutiva que nossos estímulos externos obterão depende não só da forma como nos defenderemos, mas também do tempo que levaremos e de nosso cuidado em sua elaboração'."
Faço coro com Susan Cain:
"But introverts, you being you, you probably have the impulse to guard very carefully what's inside your own suitcase. And that's okay. But occasionally, just occasionally, I hope you will open up your suitcases for other people to see, because the world needs you and it needs the things you carry.
So I wish you the best of all possible journeys and the courage to speak softly."
Ele se fechou para mim, por mim, em si, ou nada disso? Mesmo o que ficou sem resposta pode não ser nada pessoal: cada um com seus processos...
Posso estar errada, posso estar querendo ver o que o coração sente, mas minha opção final é: "Don't stop believing."
Até prova em contrário; até o tempo em que menos se espera; até o tempo em que não mais se espera!
"(...) in fact, we have known for centuries about the transcendent power of solitude. It's only recently that we've strangely begun to forget it. If you look at most of the world's major religions, you will find seekers - Moses, Jesus, Buddha, Muhammad - seekers who are going off by themselves alone to the wilderness where they then have profound epiphanies and revelations that they then bring back to the rest of the community. So, no wilderness, no revelations."
A palestrante menciona a vez em que foi a uma colônia de férias. Ela imaginava que ia ficar numa casa de campo com outras meninas, só calminha, lendo o tempo todo. Chegando lá, a monitora ensinou uma canção em que dizia que as crianças deveriam ser "rowdy" ("bagunceiras"). À noite, Susan foi ler e uma das meninas perguntou por quê ela estava sendo tão "mellow" ("boazinha").
Quando fui ver o significado de "mellow", este foi um exemplo que encontrei para ilustrar a definição quanto a comida: "slow cooking gives the dish a sweet, mellow flavour".Então é isso que meu lado romântico e otimista me faz crer que a vida me prepara: a rich, sweet, mellow flavoured dish.
A pérola preciosa gestada na concha. "(...) para a pérola surgir é preciso que a ostra seja ferida por um grão de areia até que ela o paralise usando uma substância chamada madre-pérola, que o envolve.
Dessa forma, quanto mais tempo a ostra fica fechada, maior ficará a pérola que se forma com o encontro da madre-pérola com o grão de areia. (...) se a ostra não se abrisse e fechasse para respirar, jamais receberia o invasor, e a pérola não existiria.
(...) Segundo o professor Rubem Alves, 'nossas dores e nossas feridas podem ser fontes ricas de preciosas jóias, dependendo de como tratamos aquilo que corta nossa carne. A forma criativa ou destrutiva que nossos estímulos externos obterão depende não só da forma como nos defenderemos, mas também do tempo que levaremos e de nosso cuidado em sua elaboração'."
Faço coro com Susan Cain:
"But introverts, you being you, you probably have the impulse to guard very carefully what's inside your own suitcase. And that's okay. But occasionally, just occasionally, I hope you will open up your suitcases for other people to see, because the world needs you and it needs the things you carry.
So I wish you the best of all possible journeys and the courage to speak softly."
Ele se fechou para mim, por mim, em si, ou nada disso? Mesmo o que ficou sem resposta pode não ser nada pessoal: cada um com seus processos...
Posso estar errada, posso estar querendo ver o que o coração sente, mas minha opção final é: "Don't stop believing."
Até prova em contrário; até o tempo em que menos se espera; até o tempo em que não mais se espera!
Nenhum comentário:
Postar um comentário